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title: "Cuprita: Como Identificar o Óxido de Cobre Vermelho, Diferença de Rubi e Onde Encontrar"
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description: "Cuprita (Cu₂O): o óxido de cobre vermelho, surpreendentemente pesado e mais brilhante que o diamante. Aprenda a identificar no campo (traço, dureza, densidade), diferenciar de rubi, granada e cinábrio, onde encontrar (Curaçá-BA, Carajás-PA) e quanto vale em 2026."
date: "2026-07-19"
author: "Pedro - Gemologista Garimpada Brasil"
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# Cuprita: Como Identificar o Óxido de Cobre Vermelho, Diferença de Rubi e Onde Encontrar

Cuprita (Cu₂O): o óxido de cobre vermelho, surpreendentemente pesado e mais brilhante que o diamante. Aprenda a identificar no campo (traço, dureza, densidade), diferenciar de rubi, granada e cinábrio, onde encontrar (Curaçá-BA, Carajás-PA) e quanto vale em 2026.


A **cuprita** é um daqueles minerais que parecem guardar um segredo: um **óxido de cobre** de cor vermelha, surpreendentemente pesado e com um brilho tão intenso que, lapidado, chega a parecer um rubi — por isso é conhecida no mundo das gemas como **"cobre-rubi"** (*ruby copper*). Sua fórmula é **Cu₂O** (óxido cuproso), e cada grama dela carrega **88,8% de cobre puro**: é um dos minérios de cobre mais ricos que existem, muito mais concentrado que a [calcopirita](/gemas/calcopirita-guia/).

No Brasil, a cuprita aparece onde há cobre — sempre na **zona de oxidação** dos depósitos, o mesmo ambiente que produz a [malaquita](/gemas/malaquita-guia/) verde, a [azurita](/gemas/azurita-guia/) azul e a [crisocola](/gemas/crisocola/) azul-esverdeada. Para o garimpeiro e o colecionador, ela é uma descoberta duplamente valiosa: indica **minério de cobre em profundidade** (às vezes com ouro associado) e, quando vem em cristais vermelhos translúcidos bem formados, vira peça de coleção cobiçada.

Neste guia você vai aprender a **identificar cuprita** por testes práticos de campo (cor, traço, dureza e densidade), diferenciá-la com segurança de rubi, granada, hematita e do perigoso **cinábrio** (sulfeto de mercúrio), entender a história geológica da qual ela faz parte — a sequência de oxidação que liga a [calcopirita](/gemas/calcopirita-guia/) às gemas coloridas de cobre —, onde encontrá-la no Brasil e quanto ela realmente vale em 2026.

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**Resposta direta — cuprita em uma linha:** a cuprita é um **óxido de cobre (Cu₂O)**, sistema cúbico, o **minério de cobre mais rico do mundo** (88,8% Cu). Reconheça-a pela cor **vermelha a vermelho-escura**, pelo **traço (risca) marrom-avermelhado**, pela **baixa dureza (3,5–4 Mohs — riscada por faca e prego)** e por ser **surpreendentemente pesada** (densidade ~6,1 g/cm³). Tem brilho **adamantino** (índice de refração ~2,85, **acima do diamante**). No Brasil, destaque para o **Vale do Curaçá (BA)** e **Carajás (PA)**.

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## O Que é a Cuprita?

A cuprita é um **óxido de cobre**, com fórmula **Cu₂O** — também chamado de **óxido cuproso** (cobre no estado de oxidação +1). Cristaliza no **sistema cúbico** (isométrico) e forma cristais clássicos em **octaedros**, além de cubos, dodecaedros e agregados granulares ou terrosos. Seu nome vem do latim *cuprum* ("cobre"), em alusão à sua composição — é, literalmente, o "mineral de cobre" por excelência.

A cuprita se forma na **zona de oxidação** dos jazimentos de cobre — a faixa superior da crosta, acima do lençol freático, onde a água, o oxigênio e o CO₂ do ar "atacam" o minério primário. É exatamente o mesmo ambiente geológico descrito no guia de [calcopirita](/gemas/calcopirita-guia/) e no de [azurita](/gemas/azurita-guia/). A diferença é a **posição** dentro dessa zona: a cuprita costuma aparecer na parte **inferior** da zona oxidada, logo acima do minério primário intacto, enquanto a [malaquita](/gemas/malaquita-guia/), a [azurita](/gemas/azurita-guia/) e a [crisocola](/gemas/crisocola/) predominam mais acima, já na superfície.

Três contextos geológicos explicam quase toda a cuprita de interesse brasileiro:

- **Depósitos de cobre com enriquecimento supergênico** — o caso do **Vale do Curaçá (Bahia)**, onde a cuprita marca a transição entre o sulfeto profundo e o "chapéu" colorido de carbonatos. É o distrito da **mina de Caraíba**.
- **Depósitos tipo IOCG** (*Iron Oxide Copper-Gold*) — em **Carajás (Pará)**, projetos como **Salobo** e **Sossego** têm cuprita nas zonas oxidadas associadas a cobre e ouro.
- **Distritos cupríferos históricos** — o caso de **Camaquã (Rio Grande do Sul)**, com minas exploradas desde o século XIX.

É essa posição de "ponte" na zona de oxidação que faz da cuprita um **indicador geológico tão preciso**: achá-la significa que, logo abaixo, há minério de cobre primário — muitas vezes a própria [calcopirita](/gemas/calcopirita-guia/), por vezes com ouro fino associado. O mesmo raciocínio exploratório que aparece nos guias de [prospecção em pegmatitos](/gemas/pegmatitos-brasileiros-berco-gemas/) e de [minerais estratégicos como a scheelita](/gemas/scheelita-guia/).

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## Propriedades Físicas e Minerais

| Propriedade | Valor |
|-------------|-------|
| **Fórmula química** | Cu₂O (óxido de cobre I / cuproso) |
| **Classe mineral** | Óxido |
| **Sistema cristalino** | Cúbico (isométrico) — octaedros, cubos |
| **Cor** | Vermelho a vermelho-escuro, carmesim, marrom-avermelhado; quase preto nos cristais opacos |
| **Traço (risca)** | **Marrom-avermelhado a vermelho** |
| **Brilho** | **Adamantino** a sub-metálico (adamantino nos cristais translúcidos) |
| **Dureza Mohs** | 3,5 – 4 |
| **Densidade (peso específico)** | **~6,1 g/cm³** (muito pesado para um mineral não-metálico) |
| **Índice de refração** | ~2,85 (**acima do diamante**, 2,42) — daí o brilho intenso |
| **Clivagem** | Distinta em {111}; parting comum |
| **Fratura** | Concoidal a desigual |
| **Transparência** | Transparente a translúcida (variedades gemas); opaca nos cristais escuros |
| **Teor de cobre** | **88,8%** (um dos mais altos entre minérios de cobre) |

Note três detalhes que tornam a cuprita especial. Primeiro, o **brilho adamantino** com índice de refração **~2,85** — superior ao do diamante (2,42). É por isso que uma cuprita translúcida bem lapidada "brilha" tanto quanto (ou mais que) muitas pedras preciosas. Segundo, a **densidade de ~6,1 g/cm³**: para um mineral transparente ou translúcido, isso é **enorme** — bem mais que o quartzo (~2,6), o topázio (~3,5) e até o [diamante](/gemas/diamante-guia/) (~3,5). Na mão, a cuprita "pesa" muito mais do que se espera. Terceiro, o **teor de cobre de 88,8%**, que faz dela, em tese, um minério de cobre mais rico que a [calcopirita](/gemas/calcopirita-guia/) (34,6%) ou a [malaquita](/gemas/malaquita-guia/) (57,5%).

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## A História Escondida na Rocha: do Sulfeto às Gemas Coloridas

A cuprita é o **elo perdido** da história do cobre na crosta. Imagine um depósito de cobre recém-formado, lá embaixo, com a [calcopirita](/gemas/calcopirita-guia/) (CuFeS₂) intacta. Ao longo de milhões de anos, a chuva, o oxigênio e o CO₂ começam a "comer" a parte de cima. O que era um sulfeto metálico escuro vai se transformando, estágio por estágio, numa cascata de minerais coloridos — e a cuprita é o primeiro degrau dessa escada.

A sequência clássica da **oxidação supergênica** é mais ou menos assim:

1. **Sulfeto primário (em profundidade)** — [calcopirita](/gemas/calcopirita-guia/), bornita e outros, intactos, abaixo do lençol freático.
2. **Sulfetos secundários enriquecidos** — calcocita e covellita, mais ricos em cobre, logo acima.
3. **Óxido (a cuprita!)** — é aqui que entra a **Cu₂O**, na transição, frequentemente junto com o cobre nativo.
4. **Carbonatos e silicatos (o "chapéu" colorido)** — mais perto da superfície aparecem a verde [malaquita](/gemas/malaquita-guia/), a azul [azurita](/gemas/azurita-guia/) e a azul-esverdeada [crisocola](/gemas/crisocola/), mais os óxidos de ferro do [chapéu de ferro (limonita/goethita)](/gemas/limonita-goethita-identificacao/).

Por isso, quando um garimpeiro encontra **malaquita e azurita** na superfície, a regra prática é cavar com cuidado: abaixo delas pode haver **cuprita**, e abaixo da cuprita, o **sulfeto primário** com o cobre (e às vezes o ouro) de verdade. A cuprita é o sinal de "estamos quase no minério". Esse mesmo raciocínio de leitura de rocha aparece no guia sobre [como encontrar veios de quartzo com ouro](/tecnicas/encontrar-veios-quartzo-ouro/).

Historicamente, a cuprita também tem seu lugar na ciência dos materiais. O **óxido cuproso** foi um dos primeiros semicondutores estudados: no início do século XX, retificadores de **Cu₂O** estavam entre os poucos retificadores de corrente disponíveis para a incipiente eletrônica — bem antes do silício. É um pequeno lembrete de que minerais "simples" do garimpo carregam, às vezes, capítulos inteiros da história da tecnologia.

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## Como Identificar Cuprita no Campo

A cuprita é relativamente fácil de reconhecer quando você sabe o que procurar. Siga estes testes, do mais simples ao mais decisivo:

1. **Observe a cor.** Procure tons de **vermelho a vermelho-escuro, carmesim ou marrom-avermelhado**. Os cristais bem formados são **octaedros vermelhos** clássicos; em massa, a cuprita pode parecer um pó vermelho-escuro ou uma crosta avermelhada sobre a rocha. Desconfie de "rubis" achados em zona de cobre — pode ser cuprita.

2. **Faça o teste do traço (risca).** Esfregue a amostra numa **porcelana não vidrada** (o verso de um azulejo serve). A cuprita deixa um traço **marrom-avermelhado a vermelho**. Esse é o teste mais diagnóstico de todos, porque separa a cuprita de **rubi** e **granada** (que têm traço branco) e do **cinábrio** (que tem traço vermelho-vivo, mas é mercúrio — veja abaixo).

3. **Teste a dureza.** A cuprita é **mole** (Mohs 3,5–4): uma **faca de aço** ou um **prego** risca com facilidade. Esse teste afasta de imediato rubi (9), [granada](/gemas/granada-garnet-brasileira/) (7–7,5), [espinélio](/gemas/espinelio/) (7,5–8) e [hematita](/gemas/magnetita-guia/) (5,5–6,5). Veja como fazer o teste na [escala de Mohs](/tecnicas/teste-dureza-mohs/).

4. **Sinta o peso.** A cuprita é **muito pesada** para o volume (densidade ~6,1 g/cm³). Pegue a amostra na mão e compare com uma pedra comum do mesmo tamanho: a cuprita "puxa" para baixo de forma notável. Esse peso incomum é a assinatura do alto teor de cobre.

5. **Olhe as associações.** Cuprita quase nunca aparece sozinha: se houver **malaquita verde, azurita azul ou crisocola** por perto — ou os brilhos dourados da [calcopirita](/gemas/calcopirita-guia/) — a chance de estar diante de cuprita sobe muito. Esse "pacote" de minerais de cobre é praticamente diagnóstico de contexto.

6. **Cuidado com o brilho.** Em cristais translúcidos, a cuprita tem brilho **adamantino** fortíssimo (lembra diamante). É esse brilho que torna a "cobre-rubi" lapidada tão parecida com rubi — e também o que mais engana olhos inexperientes. Quando em dúvida, **sempre confirme pelo traço e pela dureza**.

Para uma checklist completa de testes de campo, consulte o [guia de identificação de campo](/tecnicas/identificacao-campo/).

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## Com o Que a Cuprita se Confunde

A cuprita é, talvez, o mineral vermelho **mais confundido** do garimpo. A tabela abaixo resume as diferenças mais importantes — leia com atenção, porque um dos "rivais" (o **cinábrio**) é **tóxico** e não pode ser tratado como uma pedra comum.

| Mineral | Cor típica | **Traço (risca)** | Dureza Mohs | Densidade (g/cm³) | Observação |
|---------|------------|-------------------|-------------|-------------------|------------|
| **Cuprita** | Vermelho a vermelho-escuro | **Marrom-avermelhado a vermelho** | 3,5–4 | ~6,1 | Mole, muito pesada, brilho adamantino |
| Rubi (coríndon) | Vermelho vivo | Branco / incolor | 9 | ~4,0 | Muito duro; risca quase tudo |
| Espinélio vermelho | Vermelho | Branco | 7,5–8 | ~3,6 | Duro; confunde-se com rubi |
| [Granada](/gemas/granada-garnet-brasileira/) (piropo) | Vermelho-escuro | Branco | 7–7,5 | ~3,7 | Duro; comum em aluviões |
| **Cinábrio** | Vermelho-escarlate | **Vermelho-vivo** | 2–2,5 | ~8,1 | **TÓXICO — sulfeto de mercúrio (HgS)** |
| Hematita | Cinza-preto metálico | Vermelho-marrom | 5,5–6,5 | ~5,3 | Pó vermelho (pigmento); dura |
| [Magnetita](/gemas/magnetita-guia/) | Preto metálico | Preto | 5,5–6,5 | ~5,2 | **Magnética** — o teste do ímã resolve |

**Atenção máxima ao cinábrio.** O **cinábrio** é **sulfeto de mercúrio (HgS)** e é tóxico: o mercúrio pode ser liberado quando a pedra é aquecida ou moída. Como também é vermelho, ele é o "sósia" mais perigoso da cuprita. Para separá-los: o cinábrio é **ainda mais mole** (2–2,5 — risca com a unha), **mais pesado** (~8,1 g/cm³) e tem traço **vermelho-vivo** (mais escarlate que o marrom-avermelhado da cuprita). Em caso de dúvida, **não quebre nem aqueça** a amostra — trate como suspeita e manuseie com luvas. Para um aprofundamento, veja o guia de [minerais radioativos e tóxicos no garimpo](/tecnicas/minerais-radioativos-seguranca-garimpo/).

Já a confusão com **rubi** e **granada** é inofensiva, mas custa dinheiro a quem compra por engano. A regra de bolso é simples: **se é vermelho mas é riscado por uma faca, não é rubi nem granada** — pode ser cuprita (ou, no caso de pedras lapidadas pequenas, uma gema de coleção raríssima). Compare também com o [rubi e a safira brutos brasileiros](/gemas/corindon-rubi-safira-bruto/) e com a [granada brasileira](/gemas/granada-garnet-brasileira/).

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## Onde Encontrar Cuprita no Brasil

A cuprita acompanha os grandes distritos de cobre do país. Os principais são:

| Região | Contexto geológico | Destaque |
|--------|---------------------|----------|
| **Vale do Curaçá (Bahia)** | Zona de oxidação do maior distrito de cobre do Brasil (mina de Caraíba) | Cuprita no "capping", associada a [malaquita](/gemas/malaquita-guia/) e [azurita](/gemas/azurita-guia/) |
| **Carajás (Pará)** | Depósitos IOCG de Salobo e Sossego (cobre-ouro) | Cuprita nas zonas oxidadas, às vezes com ouro fino |
| **Camaquã (Rio Grande do Sul)** | Distrito cuprífero histórico (minas de São Bento) | Cuprita documentada desde o século XIX |
| **Minas Gerais** | Veios hidrotermais e skarns | Ocorrências esparsas, geralmente associadas a outros sulfetos |
| **Goiás** | Depósitos de cobre | Ocorrências menores |

Na prática de campo, a cuprita aparece como **cristais octaédricos vermelhos** em drusas sobre matriz, como **crostas terrosas avermelhadas** ou como **massas granulares** misturadas com malaquita e azurita. Os melhores espécimes de coleção são os **octaedros vermelhos translúcidos** sobre uma matriz de carbonatos verdes e azuis — peças que combinam cor, brilho e contraste e costumam sair do Vale do Curaçá (BA) e de distritos do Rio Grande do Sul.

Para planejar uma viagem de coleta responsável, consulte os guias de região do [garimpo na Bahia](/regioes/garimpo-bahia/), de [Parauapebas (Pará)](/regioes/parauapebas-pa/) e do [garimpo no Pará](/regioes/garimpo-para/), além do [garimpo em Minas Gerais](/regioes/garimpo-minas-gerais/).

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## Para Que Serve a Cuprita

A cuprita tem três grandes usos, cada um num universo muito diferente:

- **Minério de cobre.** É, em teoria, **um dos melhores minérios de cobre que existem**: com **88,8% de cobre** na fórmula, supera em concentração a [calcopirita](/gemas/calcopirita-guia/) (34,6%) e a [malaquita](/gemas/malaquita-guia/) (57,5%). Na prática, porém, a cuprita **raramente ocorre em volume suficiente** para ser o minério principal — quase sempre é um subproduto da lavra dos sulfetos. Mesmo assim, é contabilizada no teor total das reservas.
- **Espécimes de coleção.** Os **octaedros vermelhos translúcidos** são peças clássicas de coleção mineralógica. Boas matrizes com cuprita, malaquita e azurita combinadas são muito procuradas por colecionadores e museus.
- **Gema facetada (raríssima).** A variedade lapidável — a **"cobre-rubi"** (*ruby copper*) — produz gemas de um vermelho profundo e brilho adamantino. Como a cuprita é **mole**, tem **clivagem** e as cores costumam ser **escuras demais** em peças grandes, quase todas as gemas lapidadas têm **menos de 1–2 quilates**. As mais famosas vêm de uma única localidade: a **mina de Onganja, na Namíbia**. No Brasil, a cuprita é comercializada como espécime, não como gema de joalheria.

Há ainda usos históricos e industriais menores: o **óxido cuproso** foi um dos primeiros **semicondutores** usados em retificadores de corrente no início da eletrônica, e compostos de Cu₂O aparecem em **pigmentos vermelhos** e em alguns **fungicidas e bactericidas** agrícolas. Esses usos, porém, envolvem o computo sintético, não a cuprita mineral do garimpo.

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## Cuprita Tem Valor Comercial? Quanto Vale?

Como toda pedra de cobre, a cuprita vale por **três caminhos** distintos, e é importante não misturá-los:

- **Minério (valor industrial).** A cuprita bruta de minério **não é vendida por grama como pedra preciosa**: é comercializada por **tonelada**, precificada pelo **teor de cobre** e atrelada à **cotação do cobre na bolsa de metais (LME)**. É o mesmo raciocínio da [calcopirita](/gemas/calcopirita-guia/) e da [scheelita](/gemas/scheelita-guia/). Para o garimpeiro individual, a cuprita isolada raramente tem valor comercial como minério, porque ocorre em pouca quantidade — mas **avisa** que há cobre (e às vezes ouro) embaixo.
- **Espécimes de coleção.** Aqui está o valor real para a maioria dos achados. **Octaedros vermelhos bem formados**, principalmente translúcidos e sobre matriz com malaquita e azurita, têm mercado forte entre colecionadores. Pequenos exemplares ficam na faixa de **algumas dezenas de reais**; matrizes com cristais grandes e estéticos podem chegar a **centenas ou milhares de reais** nos exemplares de museu. A beleza é o que manda.
- **Gema lapidada.** A cuprita facetada é **uma das gemas mais raras do mundo**. Pedras acima de **2 quilates** já são peças de colecionador, e as melhores (de Onganja) são quase todas em coleções privadas. **Não existe um mercado de joalheria** para cuprita — é gema de coleção, mole demais para uso diário.

Como orientação geral (e nunca como tabela oficial), trate o valor como **baixo** para cuprita terrosa ou em massa, **médio a alto** para bons espécimes de coleção com cristais octaédricos, e **nulo para uso em joias**. Para referências relativas entre as gemas brasileiras, consulte a [tabela de preços de gemas](/tecnicas/precos-gemas-brasileiras-tabela/) e a [calculadora de valor de gemas](/ferramentas/calculadora-valor/).

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## Aspectos Legais e Segurança no Garimpo de Cuprita

A coleta e o comércio de cuprita seguem as mesmas regras do garimpo legalizado de qualquer mineral:

- **Permissão de Lavra Garimpeira (PLG)** da [ANM](/glossario/anm/) para trabalhar a área — o passo a passo está em [como abrir garimpo legalizado](/tecnicas/como-abrir-garimpo-legalizado/) e na entrada de [PLG](/glossario/plg/).
- **Licença ambiental estadual**, emitida pelo órgão estadual de meio ambiente.
- **CFEM** (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) sobre a comercialização.
- **Conferência de área no SIGMINE**, evitando sobreposição com terras indígenas, unidades de conservação ou processos de terceiros.

Em **segurança**, três pontos exigem atenção redobrada:

1. **Poeira de cobre.** A cuprita **não é tóxica ao toque** e não é radioativa. Mas o **pó de cobre** liberado ao quebrar, serrar ou polir amostras é **irritante** para vias respiratórias e olhos. Ao trabalhar a pedra, use **máscara, óculos e luvas** — confira o checklist de [EPIs obrigatórios para garimpeiro](/tecnicas/epis-obrigatorios-garimpeiro/).
2. **Confusão com cinábrio (mercúrio).** Esta é a principal armadilha de segurança da cuprita. O **cinábrio** (HgS) é **vermelho**, parece-se com a cuprita e é **tóxico**. Se houver qualquer chance de ser cinábrio (pedra **mais mole** que a cuprita, **mais pesada**, traço **vermelho-vivo**), **não aqueça, não moa e não quebre** a amostra sem EPI completo — trate como suspeita de mercúrio. Veja [minerais tóxicos e radioativos no garimpo](/tecnicas/minerais-radioativos-seguranca-garimpo/).
3. **Drenagem ácida.** Onde há cuprita, costuma haver sulfetos por perto — e os sulfetos, expostos ao ar e à água, geram **drenagem ácida** (ácido sulfúrico que mobiliza cobre e metais pesados). Desconfie de águas **laranjadas ou esverdeadas** em áreas de garimpo antigo e nunca descarte restos minerais em riachos.

Para evitar golpes na venda de espécimes, as bandeiras vermelhas estão no guia de [golpes e gemas falsas no marketplace](/tecnicas/golpes-gemas-falsas-marketplace/).

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## Resumo Prático para o Garimpeiro

1. **Suspeite de cuprita** quando achar **vermelho a vermelho-escuro** em zona de cobre — principalmente perto de [malaquita](/gemas/malaquita-guia/) verde e [azurita](/gemas/azurita-guia/) azul.
2. **Faça o teste do traço**: traço **marrom-avermelhado a vermelho** sobre porcelana é o sinal mais diagnóstico.
3. **Teste a dureza**: se a **faca risca** facilmente (Mohs 3,5–4), não é rubi nem granada — provável cuprita.
4. **Sinta o peso**: a cuprita é **surpreendentemente pesada** (~6,1 g/cm³) para um mineral não-metálico.
5. **Cuidado com o cinábrio**: se for **mais mole** (risca com a unha) e **mais pesado**, pode ser mercúrio — **não quebre nem aqueça**, manuseie com luvas.
6. **Pense em contexto, não em joia**: a cuprita "pesada" sinaliza **cobre embaixo** (e às vezes ouro); os **cristais vermelhos translúcidos** é que valem como coleção.
7. **Antes de trabalhar a área**: confira SIGMINE/ANM, tire a PLG e a licença ambiental estadual.
8. **Proteja-se ao lapidar**: poeira de cobre é irritante — sempre máscara, óculos e luvas ao serrar ou polir.

Com esses passos, a cuprita deixa de ser "mais uma pedra vermelha que confunde" e vira um mineral reconhecível — e estratégico. Ela é o aviso de que o cobre está ali, o elo entre o sulfeto escuro das profundezas e as gemas coloridas da superfície, e, de quebra, uma das peças de coleção mais bonitas que o subsolo brasileiro pode oferecer. Para quem quer ler a rocha, ela é o capítulo vermelho da história do cobre.

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